domingo, 3 de abril de 2016

Mãos à obra!

Foram exatos 14 dias para eu começar a trabalhar efetivamente. Nestes dias vivi exatamente uma loucura. A primeira atitude foi finalizar meu curriculum e me cadastrar pela internet em diversas vagas mas foi um desastre de compreensão, eu nem sabia que tipo de emprego procurar e quanto mais eu abria as páginas e tentava ler as atribuições solicitadas, mais eu me assustava com a minha incapacidade linguística. Aí, naquele momento de desespero, meu primeiro pensamento foi: vou procurar vagas de cleaner (na limpeza) assim não precisarei conversar com ninguém, apenas limpar e escutar as pessoas falando a minha volta. Ledo engano, até para atuar na área da limpeza você tem que saber diversas palavras que nunca aprendeu nas suas aulas de inglês básico. Mas isso eu fui perceber nos meus primeiros dias de trabalho, é óbvio.
Depois de muitos currículos entregues, momento sempre acompanhado daquele frio na barriga para fazer a simples pergunta: "Do you receive cv here?" (Você recebe curriculos aqui?) e preenchendo fichas nas agências de emprego do centro, eu acabei recebendo 4 propostas para entrevistas de emprego e a primeira que participei foi no Mc Donalds do nosso bairro, foi uma experiência interessante, pois mesmo estando muito nervosa eu consegui me expressar de forma limitada e garantir um teste. 
O mais interessante nesta situação toda era a inversão de papéis em que me coloquei, pois no Brasil sendo graduada em Administração de Empresas e trabalhando na área de Recursos Humanos por aproximadamente 9 anos, eu normalmente estava do lado de lá nos processos seletivos, era eu quem avaliava o comportamento, a personalidade, as habilidades de expressão verbal e escrita, realizava a leitura daquilo que o candidato normalmente tenta não mostrar em seu primeiro contato e ajudava a direção e gerência a escolher o candidato mais adequado para a vaga. E agora, eu estava ali, totalmente entregue à aquela situação, aonde a comunicação era a única maneira de provar toda minha capacidade intelectual e me senti literalmente no abismo, caindo e sem chance de me agarrar a nada, tudo isso por não conseguir entender. A nossa única maneira de sobrevivência real, em qualquer lugar do mundo, esta atrelada a fala, que seja esta de forma escrita, verbal, através de sinais, alguma alternativa de se fazer entender deve existir e quando você simplesmente não consegue, isso acaba sendo frustrante. 
Acabei me colocando no patamar do EU CONSIGO e de todas as ofertas que recebi aceitei trabalhar como packer (empacotadora) em uma fábrica de embalagens e foi a oportunidade que agarrei, pensando no futuro, uma indústria seria uma boa chance de crescimento.

Eu brincando dentro do "blue bin" lixo azul


Eu comecei a trabalhar e muitas vezes me sentia ultra estúpida por não entender comandos básicos como: "você pode varrer o chão",  "você pode montar as caixas", "hoje você vai trabalhar alimentando a máquina", "agora você vai destacar os blocos de papel".... diálogos daquele ambiente de trabalho que ralei para entender.

Festa de despedida, levei até brigadeiro

Amigos que me ensinaram e muito!

Refeitório

Gente, foram muitas as dificuldades e lições aprendidas nesta primeira experiência. Fiz amigos de várias nacionalidades, tentava me comunicar com os nativos, mas sempre tinha mais dificuldade. Fiquei exatos 4 meses nesta fábrica, aprendi muito, trabalhei muito, mais muito...mais do que imaginava que meu corpo conseguiria e segui adiante. 
Acabei decidindo procurar algo que não me esgotasse tanto fisicamente, pois são quase 37 anos nas costas, e perguntando para alguns colegas de trabalho sobre outras oportunidades, muitos incentivavam, mas outros diziam ser impossível, tipo: Você nunca vai conseguir um emprego melhor do que este, você é estrangeira, não fala um bom inglês, aqui você só vai arrumar emprego deste tipo ou pior ... Aaahhh o que mais adoro é um desafio, literalmente amo quando dizem que não vou conseguir, descobri que este pensamento pequeno de que, apenas pelo fato de eu ser mais uma imigrante e não falar direito o idioma do país, não significa nada, pois fui muito bem recebida em todos os lugares que passei desde o primeiro dia e neste cenário surgiu o incentivo de arriscar e tentar me cadastrar para uma nova vaga.
E ai, mais um capítulo desta história sobre entrevistas, novas oportunidades e crescimento pessoal e profissional acabou chegando, mas contarei em um outro post, ok.

See u
Camila

4 comentários:

  1. Amorinha, o seu blog está nos meus favoritos.Parece que vejo você contando pra gente, escuto até sua voz de tão verdadeiro que são seus relatos.

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    1. Que coisa boa ouvir isso tia Gary, a ideia é realmente esta. Estar com vcs de alguma forma.

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  2. nunca me preocupei, confio demais no teu taco

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