Engraçado quando a gente fala sobre dar o primeiro passo em qualquer direção. Eu sabia que precisava mudar algo na minha vida, mas sempre que eu e o marido tocávamos no assunto, não passava do plano das ideias...acredito que isso que pegou as pessoas de surpresa...depois de tantos planos idealizados sem ação, este que era o mais louco de todos, aconteceu! E não foi do dia para noite não...foram meses de muita pesquisa, correria atrás de documentos, passaportes, venda dos poucos bens que tinhamos até então, para recomeçar de onde tivesse que ser. As pessoas me chamavam de louca, corajosa, será que é a coisa certa? Você já foi para Inglaterra, mas porque lá? Nossa, você vai aguentar o frio? Ai, acho que você volta, meu amigo não gostou de lá! Ufaaaa....tanta gente falando, que nem sei como consegui me manter focada.
E assim aconteceu, decidi tentar e ver por mim mesma o que seria deste novo mundo. Como meu pai sempre dizia: "Já foi falado e tá teimando" eu sou destas, que insiste em tomar o choque mesmo sabendo que mexer na tomada, poderá oferecer grandes riscos.
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| Imagem do voo vindo para terra da Rainha |
A vida é assim, enquanto as pessoas não passarem por certas situações, talvez nada faça sentido.
Eu arrisquei e olha, foi um susto daqueles....cheguei aqui acolhida por amigos que fizeram de tudo e mais um pouco para que minha adaptação fosse leve. Não vou negar que logo nos primeiros dias, longe do marido e da filha eu só pensava: O QUE ESTOU FAZENDO AQUI? Bem que disseram que sou louca....tudo aqui é muito diferente começando pela água que bebemos que vem da torneira, rsrs. As casas são antigas, bem pequenas para nossos padrões brasileiros, o cheiro de tudo é muito diferente, a comida então nem se fala, até o arroz consegue ter outro sabor. Eu ansiosa que sou, brinco que qualquer novidade consegue me dar piriri de emoção, imaginem... os primeiros 15 dias foram assim, a base de muito chá e bolachinha.
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| Recepção de primeira |
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| Estação de trem do nosso bairro |
Recomeço que me deixou apavorada, não entendia uma palavra sequer do que os nativos diziam e olha que achava que, com o meu inglês básico (The book is on the table) eu não passaria fome...rsrs...se estivesse sozinha passava sim! Tive muita sorte e incentivo neste começo, eu precisava correr muito para arrumar casa e emprego e assim trazer a família para cá e todas as vezes que eu saía na rua e precisava falar algo, eu paralizava. Pensava como vou falar, se não consigo entender nem o que me perguntam. Primeiro dos clássicos, depois de uma ida básica ao Mc Donalds tentando solicitar o famoso meal (o lanche completo), o carinha perguntou "Would like medium or large?" (Gostaria do médio ou grande?) .... minha resposta "YES", ele tentou de novo e mantive minha resposta "YES".... oh minha filha, escolhe um ou outro sua doida, ele deve ter pensado....hahahahahaha.... Comédia e micos sempre foram os meus pontos fortes e aqui isso só valorizou...aprendi que nem sempre YES é uma boa resposta quando não se entende bulhufas do que te perguntam. Comecei a vibrar todas as vezes que entendia o que alguém falava....claro que não a frase toda né, talvez uma ou duas palavras. O sotaque realmente é muito diferente e complica um pouquinho a adaptação, mas nada que vários vexames na comunicação não resolvam. Lição aprendida forçadamente desta vez, para quem sempre foi tagarela tive que aprender a ouvir mais do que falar....ouvir e ouvir muito!!
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| Centro da cidade de Coventry |
E ai entram o Skype e a internet que foram e ainda são o melhor presente na vida de quem atravessa um oceano. Noites de choro, de só querer estar junto e não poder, de olhar para todas aquelas pessoas que sempre estiveram ali do seu lado e pensar: porque não abracei mais? Ok.....sem querer ser dramática...são sentimentos que damos valor quando "perdemos"..... Mas digo que a distância aproxima corações de forma tão singela que não cabe no peito tanto amor.
Primeiro passo e primeira lição!
See u
Camila






