domingo, 27 de março de 2016

1° passo

Engraçado quando a gente fala sobre dar o primeiro passo em qualquer direção. Eu sabia que precisava mudar algo na minha vida, mas sempre que eu e o marido tocávamos no assunto, não passava do plano das ideias...acredito que isso que pegou as pessoas de surpresa...depois de tantos planos idealizados sem ação, este que era o mais louco de todos, aconteceu! E não foi do dia para noite não...foram meses de muita pesquisa, correria atrás de documentos, passaportes, venda dos poucos bens que tinhamos até então, para recomeçar de onde tivesse que ser. As pessoas me chamavam de louca, corajosa, será que é a coisa certa? Você já foi para Inglaterra, mas porque lá? Nossa, você vai aguentar o frio? Ai, acho que você volta, meu amigo não gostou de lá! Ufaaaa....tanta gente falando, que nem sei como consegui me manter focada. 
E assim aconteceu, decidi tentar e ver por mim mesma o que seria deste novo mundo. Como meu pai sempre dizia: "Já foi falado e tá teimando" eu sou destas, que insiste em tomar o choque mesmo sabendo que mexer na tomada, poderá oferecer grandes riscos.

Imagem do voo vindo para terra da Rainha

A vida é assim, enquanto as pessoas não passarem por certas situações, talvez nada faça sentido.
Eu arrisquei e olha, foi um susto daqueles....cheguei aqui acolhida por amigos que fizeram de tudo e mais um pouco para que minha adaptação fosse leve. Não vou negar que logo nos primeiros dias, longe do marido e da filha eu só pensava: O QUE ESTOU FAZENDO AQUI? Bem que disseram que sou louca....tudo aqui é muito diferente começando pela água que bebemos que vem da torneira, rsrs. As casas são antigas, bem pequenas para nossos padrões brasileiros, o cheiro de tudo é muito diferente, a comida então nem se fala, até o arroz consegue ter outro sabor. Eu ansiosa que sou, brinco que qualquer novidade consegue me dar piriri de emoção, imaginem... os primeiros 15 dias foram assim, a base de muito chá e bolachinha.

Recepção de primeira 

Estação  de trem do  nosso bairro 

Recomeço que me deixou apavorada, não entendia uma palavra sequer do que os nativos diziam e olha que achava que, com o meu inglês básico (The book is on the table) eu não passaria fome...rsrs...se estivesse sozinha passava sim! Tive muita sorte e incentivo neste começo, eu precisava correr muito para arrumar casa e emprego e assim trazer a família para cá e todas as vezes que eu saía na rua e precisava falar algo, eu paralizava. Pensava como vou falar, se não consigo entender nem o que me perguntam. Primeiro dos clássicos, depois de uma ida básica ao Mc Donalds tentando solicitar o famoso meal (o lanche completo), o carinha perguntou "Would like medium or large?" (Gostaria do médio ou grande?) .... minha resposta "YES", ele tentou de novo e mantive minha resposta "YES".... oh minha filha, escolhe um ou outro sua doida, ele deve ter pensado....hahahahahaha.... Comédia e micos sempre foram os meus pontos fortes e aqui isso só valorizou...aprendi que nem sempre YES é uma boa resposta quando não se entende bulhufas do que te perguntam. Comecei a vibrar todas as vezes que entendia o que alguém falava....claro que não a frase toda né, talvez uma ou duas palavras. O sotaque realmente é muito diferente e complica um pouquinho a adaptação, mas nada que vários vexames na comunicação não resolvam. Lição aprendida forçadamente desta vez, para quem sempre foi tagarela tive que aprender a ouvir mais do que falar....ouvir e ouvir muito!!

Centro da cidade de Coventry

E ai entram o Skype e a internet que foram e ainda são o melhor presente na vida de quem atravessa um oceano. Noites de choro, de só querer estar junto e não poder, de olhar para todas aquelas pessoas que sempre estiveram ali do seu lado e pensar: porque não abracei mais? Ok.....sem querer ser dramática...são sentimentos que damos valor quando "perdemos"..... Mas digo que a distância aproxima corações de forma tão singela que não cabe no peito tanto amor.
Primeiro passo e primeira lição!

See u
Camila

segunda-feira, 21 de março de 2016

Quando se pertence...

Durante anos da minha vida, eu não me senti verdadeiramente pertencente ao lar que vivia, a cidade que me acolhia, aos grupos de amigos que fazia e até mesmo algumas das escolhas que eu fiz na vida, não pertenciam a mim. Eu não acreditava que minhas atitudes poderiam me tornar mais forte ou mais feliz, eu vivia apenas por viver e os dias chegavam sem sentido, sem vitórias, sem busca. Desde que minha mãe faleceu, há 30 anos atrás, eu iniciei este processo "de estar, sem estar" efetivamente nos lugares. Parece estranho falar assim, mas isso é possível sim, você nunca se sentiu sozinho mesmo em meio a multidão? Enquanto adolescente, eu aprendi que dramatizar muito sobre quem se é, afasta as pessoas, não é nada prazeroso estar ao lado de alguém que só reclama de si mesmo e dos outros. 
O alicerce emocional e toda a formação ética de uma pessoa, normalmente é construída dentro da base familiar, através dos exemplos, incentivos, limites impostos e o mais importante que é o se sentir acolhido e amado. Quando você se sente um intruso, nada disso pertence a você. Foi assim que me senti, quando era só alguém vivendo na casa do meu pai depois do seu novo casamento, na casa da ex-vizinha mesmo pagando pelo quarto, no primeiro apartamento que rachei com uma colega sem ter afinidade, na casa da irmã quando não tinha mais saída, até na casa da tia que acolheu todos os sobrinhos que eram "problemas" ... era só aquela menina que estava ali tentando sobreviver e crescer.
Fui acolhida e muito amada, mas este sentimento de não pertencer aos lugares é algo que vem de dentro, sabe aquela história de que só a mãe da gente suporta todas as nossas birras e defeitos, isso é fato, elas amam de forma tão profunda que suportam até o impossível em prol da nossa felicidade, mas infelizmente não vivi isso. 
Até que certo dia o amor e a felicidade chegaram de forma tão tímida, que acabaram preenchendo todo medo, vazio e fazendo eu descobrir o que era pertencer a mim mesma. Que coisa linda, o dia que você encontra consigo mesma e descobre todas as suas possibilidades de: pertencer.


VERBO PERTENCER; "Ser propriedade de alguém, fazer parte de, ser merecido, caber".




Exatamente isso, eu abri espaço dentro de mim mesma, dentro de um lar e descobri o quanto fazer parte de uma família é valioso, ser merecido dentro de grupos socias oferendo o seu melhor sempre e fazer valer cada momento vivido ao lado de alguém. 
Hoje não me interessa muito o invólucro, pois o alicerce que construí foi estruturado em cima de muita luta.
Enfim, mesmo estando longe de muita gente que amo profundamente tenho consciência de que pertencer à uma família, à um país, à um grupo de amigos não significa estar junto ou perto....quando o sentimento de SER parte integrante se faz valer, não é preciso ESTAR em lugar nenhum a não ser, dentro do coração.

See u
Camila

sábado, 19 de março de 2016

Ah, aquela grama logo ali...

Para e pensa comigo? Você tem sonhos a serem realizados? Quais são suas metas de curto e longo prazo? Você tem uma fonte de inspiração? Quais são seus maiores desejos? Quais suas maiores frustrações? O que você tem feito para sair do lugar? Você acha impossível chegar lá? Para onde você está olhando, passado x futuro? Você tem orgulho de si mesmo?
Oh loko, quantas perguntas....mas acho que é aí que toda história começa!!
Comigo não foi diferente, sempre tive esse sonho, que era de morar fora do Brasil e aprender uma outra língua, viver uma nova cultura, hábitos e costumes. Minhas metas a curto prazo eram obter qualidade de vida e segurança para minha família e a longo prazo ver no futuro da minha filha possibilidades de desenvolvimento e crescimento pessoal que não tive. Minha inspiração de conduta sempre foi o meu pai, em primeiro lugar sempre me mostrou o quanto a honestidade é valiosa e que a simplicidade sempre poderá nos oferecer o melhor em todas as situações. Os meus maiores desejos, além de ver minha familia feliz, são de possibilitar uma vida tranquila, com aprendizados sobre o respeito, amor e sobre a felicidade nos mais singelos momentos. Óbvio que minhas frustrações me trouxeram até aqui, pois em 36 anos vividos, tive sim muitos "maus" momentos, daqueles que não é qualquer um que se levanta não, mas isso é uma outra história. Falo que a resiliência é minha palavra de inspiração, aprendi que as grandes transformações se dão nestes tropeços da vida e que a cada agachada o impulso para se levantar fica mais firme e não causando mais tanta dor. Muitas vezes me sinto inerte, sem forças mas quando olho para trás, fico orgulhosa dos passos que tenho dado, desde que abri a porta da coragem. Foi sim um passo largo, muitos me acharam egoísta e meio fria quando contei que mudaria para Inglaterra de mala e cuia, sem nunca ao menos ter visitado as terras da Rainha e que faria de tudo para que o recomeço fosse o mais leve possível. Não foi fácil, não foi leve e continua não sendo, pois nossas raízes estão fincadas a milhas de distância mas como umas das metas era o crescimento pessoal isso é inegável...todos nós já não somos mais os mesmos. Impossível é aquilo que você deixa apenas no plano do sonho, do será ou do e se! Eu tenho um prazer imenso em dizer que agora tenho aprendido a olhar para o hoje, para o presente, algo que nunca pratiquei antes. O meu passado me fortaleceu para chegar até aqui e o meu futuro só depende do que tenho feito hoje!
Orgulho, este é um sentimento que tenho me permitido as vezes, cada pequena conquista aqui nos permite aquele brilho nos olhos sabe? Aquela vontade de gritar: Consegui porraaaa (me perdoem o palavrão) isso é reaprender a viver, controlar a ansiedade, reestruturar seus conceitos de vida, reestabelecer um novo tipo de conexão com os que estão longe e redefinir o que um dia fez bem e hoje não mais e se permitir viver pleno.
Desde nova eu olhava para a grama ali do lado, desejei da forma mais pura o melhor que este novo mundo pudesse me trazer e olha que tem sido gratificante.
É isso ae galera, as vezes não interessa quanto tempo já passou, o que vale a pena é tentar e sempre com o pensamento vibrando que: CONHECIMENTO NUNCA SERÁ TEMPO PERDIDO!!
Vou usar este espaço para dividir com vocês algumas das nossas aventuras,,,, <3

Este é o gramado aqui de casa, presente de Deus!

See u
Camila